Gilvanete acompanhava a mãe, Jocilene Ribeiro, 66, em uma das
enfermarias da Clínica Médica do HRL. Residente em Lagarto, a dona de
casa, que é diabética e hipertensa, está internada há 11 dias na unidade
hospitalar, considerada uma das mais resolutivas da rede hospitalar de
urgência e emergência do Estado. Somente no mês de maio, o Hospital
Regional de Lagarto, construído a partir da Reforma Sanitária Gerencial
do SUS de Sergipe implementada a partir de 2007 pelo Governo de Sergipe,
por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES), realizou 12.621
atendimentos de urgência e emergência, entre procedimentos clínicos, de
enfermagem em geral, consultas especializadas em pediatria e ortopedia,
além de tratamentos clínicos de traumas ortopédicos.
No mesmo período, o HRL atendeu a 5.421 pacientes. Às vésperas de
completar dois anos de funcionamento no próximo mês de julho, o Hospital
Regional de Lagarto tem contribuído cada vez mais para reduzir o fluxo
de pacientes para a capital, Aracaju, desafogando assim o atendimento no
Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). A unidade garante cobertura
assistencial a uma população de cerca de 250 mil pessoas dos sete
municípios que integram a regional de saúde do Centro Sul sergipano
(Lagarto, Poço Verde, Riachão do Dantas, Salgado, Simão Dias e Tobias
Barreto).
Reversão de fluxo
Esse quadro de reversão de fluxo de pacientes, que antes
predominantemente era do interior para a capital, vem ocorrendo devido
aos recursos tecnológicos incorporados ao Hospital Regional de Lagarto,
primeira unidade pública do interior a dispor de leitos de UTI. “Essa
reversão se dá porque temos no HRL uma boa operacionalidade e vem
beneficiando principalmente pacientes com indicação de UTI, que estão
entubados e fazendo uso de ventilação mecânica, oriundos em grande parte
das Áreas Vermelha e Amarela do Huse”, explica o diretor técnico do
HRL, Johnson Lucas. “Outro fator é a naturalidade desses pacientes, ou
seja, em sua maioria são de Lagarto e de municípios da região
Centro-Sul”, acrescenta.
Além dos municípios sergipanos, o HRL, que representou um investimento de pouco mais de R$ 22 milhões por parte do Governo de Sergipe, hoje também garante assistência a pacientes de cidades que fazem fronteira ou estão próximas à divisa de Sergipe com outros estados. É o caso dos usuários oriundos de Paripiranga, Adustina, Fátima, Nova Soure e Heliópolis, todos na Bahia, o que tem contribuído ainda mais para desafogar o Huse, já que antes da existência do Hospital Regional de Lagarto, esses pacientes naturalmente eram encaminhados para aquela unidade na capital.
No caso desses pacientes, o diretor técnico alerta que muitas vezes
esses pacientes advindos da Bahia chegam sem qualquer regulação médica,
mas não deixam de ser atendidos. “Temos casos de pacientes críticos que
necessitariam de suporte avançado de vida, como o proporcionado pelo
Samu 192 Sergipe, mas na maioria das vezes chegam ao hospital em
ambulâncias de remoção simples, com motorista e um técnico ou auxiliar
de enfermagem”, ressalta.
Cirurgias
Ativado no início de abril deste ano, o Centro Cirúrgico do HRL
também já vem impactando na redução de pacientes que antes teriam que
recorrer ou serem encaminhados para o Huse. Em maio, a unidade realizou
18 procedimentos, entre os quais quatro apendicectomias, uma cirurgia de
hérnia umbilical, outra de hérnia inguinal, além de um parto vaginal e
uma laparotomia exploratória. No mesmo período, o Hospital Regional de
Lagarto realizou ainda pouco mais de 11 mil exames complementares.
Somente os exames laboratoriais clínicos totalizaram quase 9,3 mil.